domingo, 7 de dezembro de 2014

Da essência humana

não quero falar dos acontecimentos,
não sou poeta para toda essa porcaria.
não me abstenho, todavia,
de meus mais tênues e sinceros sentimentos.

ecce homo, não sou cristo ou charlatão.
não tenho versos para mediocridade,
não sou mero filho da superficialidade;
não quero ouvir papo sobre merda e religião.

nos bordéis da crentaiada, quem te fode é deus.
não venho aqui para acabar com a fé no mundo,
mas venho difamar os que são teus.

das vielas, da boca, do escuro, surgem os ateus,
que viveram a vida se escondendo no imundo,
e agora vêm se opor ao universo de Deus.

terei feito um poema ignorante, um poema descartável?
não, não ouse falar, não ouse contestar...
serei, então, filho pródigo inafiançável,
meramente por querer me expressar.

não quero negligenciar a (suposta) divindade,
sou cheio de erros... um mero humano,
voltado aos prazeres, ao profano...
por não me entregar à incerteza e moralidade.

e, novamente, nos bordéis da crentaiada, quem te fode é deus.
se algo bom acontece, Ele trabalha para teu bem.
se algo ruim acontece, Ele trabalha também.

Aí fica fácil acreditar. Fica fácil ter em quem se apoiar.
Quero ver viver sozinho. Somos sozinhos...
Mas, como seres coletivos, insistimos em negar

a essência humana.

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