segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Paradoxos

gosto de dormir tarde
e de escrever um bom poema
antes de me deitar.

parece que a cabeça suaviza
e a leveza e brevidade
estendem seus domínios sobre mim.

então, durmo, sonho
e acordo no meio de um novo paradoxo:

minha mente, escampa,
consumida pela depressão.

gosto de pensar melancolicamente.
o negativismo é consequência.

e, se afasto as pessoas por causa disso,
acabo percebendo que não eram para mim.

a gente tem que gostar das pessoas pelo que elas são, sabe?

gosto, também, de imaginar o final.
mas não o após - quero o durante sempre:
aqueles minutos silenciosos e perspicazes
entre a vida e a morte.

pelo menos sinto alguma coisa, mesmo que seja sofrimento.

gosto de imaginar o sofrimento,
somente com causa, entretanto.

o amor, todavia, me parece interessante também.

                                             redundância? talvez...

fato é que quase nada me atrai.
por isso, listo o que me agrada.

e, neste rol de alegrias, preciso ressaltar que a tristeza
faz parte do que chamo de "essencial".

afinal, como ser alegre sem tristeza?

acho até que os mais tristes são os mais felizes,
porque, quando têm um momento de felicidade,
sabem MESMO que estão felizes.

gosto de gente feliz, mas moderadamente.
acho que só ao lado de gente assim é que completo meu paradoxo...

quanto à gente negativa - é outra história - não tenho opinião.
ainda não desconstruí isso em mim.

gosto das pessoas, mas elas me irritam.
preciso de espaço próprio e elas, se expandir.

ainda gosto de dormir tarde
e de escrever um bom poema
antes de me deitar.

parece que a cabeça suaviza
e a leveza e brevidade
estendem seus domínios sobre mim...

hoje dormirei tranquilo...
até a porra da melancolia
me acordar novamente.

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